sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Portal diário do aço de Ipatinga: "Ipatinga não pode dividir o prejuízo com Cubatão” O alerta é do sindicalista Luiz Carlos Miranda

03/11/2015 - 20h00 
“Ipatinga não pode dividir o prejuízo com Cubatão”
O alerta é do sindicalista Luiz Carlos Miranda diante da mobilização dos paulistas contra a demissão de cinco mil trabalhadores
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Wôlmer Ezequiel
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Paulistas querem que Usiminas divida com Ipatinga a conta da crise econômica.
DA REDAÇÃO – Os representantes do setor produtivo regional e político do Vale do Aço precisam se mobilizar, pois os paulistas querem dividir com Minas Gerais eventuais prejuízos com as demissões decorrentes da desativação de produção de aço na planta da Usiminas em Cubatão (SP).
O alerta é do vice-presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) e vice-presidente da Força Sindical em Minas Gerais, Luiz Carlos Miranda.
O sindicalista afirma que políticos que representam o estado de São Paulo já atuam junto ao governo daquele estado e setores do governo federal, para reverter a recente decisão do grupo siderúrgico.
A desativação da produção de aço na Usiminas em Cubatão, vai representar cerca de duas mil demissões diretas e o fim de outros três mil postos de trabalho terceirizados, perfazendo cinco mil demissões.
Ciente da força política dos paulistas, Luiz Carlos Miranda afirma que é possível defender a permanência da planta de Ipatinga como está hoje, por uma série de fatores. 
“Em São Paulo, por exemplo, a Usiminas não possui um centro de pesquisas, que enobrece a qualidade do produto siderúrgico. Por causa disso e outros fatores, aqui, uma placa tem custo de produção 20% menor em relação a Cubatão e especialização e comprometimento da mão de obra com o trabalho. Além disso, a planta da Usiminas em Ipatinga possui tecnologias muito mais atualizadas que São Paulo, linha de galvanizados e resfriamento acelerado de chapas grossas (CLC), de onde saem produtos de alta resistência para a indústria de petróleo, gás e energia”, observa Luiz Carlos.
Alex Ferreira
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Luiz Carlos mostra a mobilização de paulistas com a proposta de dividir com Minas o sobrepeso das demissões da Usiminas em SP

Para o sindicalista, Ipatinga não tem que dividir com Cubatão as dificuldades econômicas do país, pois a planta em Ipatinga sempre foi modelo e referência no desenvolvimento do aço. “O que precisamos é que os representantes lutem para o fortalecimento da indústria local. Estamos iniciando agora essa mobilização que precisa chegar ao governador, à presidente da República e aos ministros”, enfatizou Luiz Carlos.
Ele lembra que a Usiminas e Minas Gerais são altamente rentáveis e só apresentam prejuízos por causa da planta em São Paulo. “O prejuízo de R$ 1 bilhão anunciado recentemente não é provocado por Ipatinga. Aqui temos 40% de lucro e Cubatão tem 60% de prejuízo. Agora querem dividir com Ipatinga essa realidade? Não é aceitável. Sou o primeiro a dar o grito aqui, enquanto em São Paulo já estão mobilizados”, enfatizou. 
Para o vice-presidente CNTM também pesa no agravamento da situação em Ipatinga o modelo de administração sindical que não pensa em defender os interesses da cidade, nem apresenta uma ação concreta voltada para a comunidade local.
Mecânica
Quando anunciou o fim da produção de aço na Usiminas em Cubatão, o presidente da companhia, Rômel Erwin de Souza, também disse que a empresa vai cortar pela metade os investimentos para 2016, e que colocará à venda ativos considerados “não estratégicos”, como a Usiminas Mecânica, empresa de bens de capital com unidades em Ipatinga, Congonhas e Cubatão.
Ao visitar o Diário do Aço nessa terça-feira, o vice-presidente da CNTM afirmou que a Usiminas Mecânica é uma referência mundial. Há dois anos empregava em Ipatinga seis mil pessoas e mais dez mil fora. “Hoje tem 800 funcionários em Ipatinga e dois mil fora. Semana passada o diretor da UMSA definiu que vai fechar a empresa no dia 12 de dezembro e só vota dia 10 de janeiro. E ninguém fala nada. E depois do dia 10 de janeiro, o que será da empresa?”, questiona o dirigente.
Luiz Carlos lembra que a UMSA detém patentes que nenhuma outra empresa possui no Brasil e isso tem valor real, que ficará com quem arrematar a empresa sucateada. “Fechar a Usiminas Mecânica é uma violência contra a sociedade do Vale do Aço e requer intervenção de vereadores, prefeitos, deputados, governador e outros representantes. Mas, parece que ninguém está ligando para isso não”, concluiu o sindicalista.
Político paulista quer redução do impacto de cinco mil demissões

Alex Ferreira
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O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) defende a ideia que a Usiminas divida com Ipatinga os prejuízos com a desativação da produção de aço em Cubatão

Em sua página pessoal nas redes sociais, o deputado federal por São Paulo, Beto Mansur (PRB-SP) é o autor da proposta para que a Usiminas divida com Minas Gerais o peso das adequações para enfrentar a crise, que podem representar cinco mil demissões em Cubatão.
O deputado afirma que já conversou com o Ministério da Indústria e Comércio e vai levar o pleito aos governos estadual e federal.
O parlamentar lembra que o setor siderúrgico brasileiro, de fato, enfrenta dificuldade em decorrência da retração nas vendas de três setores que consomem 85% do aço produzido no Brasil, a construção civil, a indústria automobilística e a indústria eletroeletrônica.
Considerado um setor primário, a siderurgia demanda ações do governo federal, porque, de um total de 700 milhões de toneladas de aço produzidas anualmente, 400 milhões são produzidos com a China por estatais sem compromisso com a lucratividade.
“Elas importam o minério que sai da Vale e vendem o produto acabado, o que é ruim para a economia brasileira. No ano 2000 o Brasil importava da China em torno de 1,5% de todo o aço consumido, hoje importa mais de 50%. É preciso adotar medidas de proteção ao emprego, como já o fazem a Índia, a Inglaterra, Estados Unidos e todos os demais países que são mais desenvolvidos”, observa Beto Mansur.
O parlamentar afirma que não dá para uma empresa como a Usiminas, que tem sede em Cubatão e outra em Ipatinga, mandar cinco mil trabalhadores embora em São Paulo e não mandar nenhum em Minas Gerais. “Vamos dividir eventualmente esse prejuízo. Se tiver que fazer um novo arranjo, que se divida isso entre São Paulo e Minas. O governo estadual e o governo federal não podem ficar fora disso”, resumiu o deputad

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